Nos últimos anos, um pouco por todo o país, tem-se feito um grande investimento em infraestruturas de turismo de natureza, respondendo à procura e ao aumento de interessados na prática de várias atividades em meio natural. O setor tem visto os seus números crescerem, os praticantes e entusiastas aumentam de ano para ano, os impactes das atividades de turismo de natureza têm cada vez mais expressão a nível económico e são cada vez mais relevantes para os territórios, mesmo do ponto de vista social.
O investimento algo desenfreado, alavancado pela facilidade de acesso a mecanismos de financiamento dos mais variados tipos, fez com que o número de projetos tenha disparado nos últimos anos, muitas vezes sem critérios, e sem dar tempo para pensar no dia de amanhã, ou seja a sua correta gestão e manutenção.
Esse dia de amanhã, que é hoje, apresenta desafios sérios sobre os quais vale a pena refletir. Apesar do turismo de natureza ser uma atividade que passa muitas vezes despercebida , por ser um nicho dentro do setor do turismo, ou seja, um nicho de um nicho se olharmos para a economia a nível macro, acaba por ser uma atividade que já absorveu bastantes recursos de infraestruturação e “consumiu” muitos investimentos. É portanto pertinente e urgente fazer uma reflexão séria sobre os resultados desses investimentos em Portugal neste setor, fazendo a sua avaliação, percebendo onde estamos e para onde vamos.
Há hoje, sem sombra de dúvidas, vários desafios que as infraestruturas de turismo de natureza (mais concretamente os percursos ou trilhos sinalizados) enfrentam e aos quais terão que responder num futuro próximo. Tais desafios dizem respeito essencialmente a dois fatores que estão interligados. Primeiro, a falência iminente e inevitável da hiper-estruturação, ou por outras palavras, o excesso de percursos em território nacional. Segundo, as atuais e crescentes exigências ao nível da sustentabilidade. Surgem assim questões sérias relacionadas com a qualidade e o reconhecimento que a sociedade atribui a estas infraestruturas, problemas relacionados com a conservação do património onde se inserem e com a segurança (ou falta dela) dos utilizadores, que são cada vez mais, mais diversificados e mais autónomos.
Para pensar e resolver estes e outros desafios do setor será necessário promover a colaboração e parceria entre diferentes agentes públicos, privados e público-privados que têm responsabilidades e/ou um papel ativo nalgum ponto do ciclo de utilização destas infraestruturas, desde a sua criação à sua utilização, a sua ativação e gestão/manutenção. Mas foquemo-nos nos que foram identificados anteriormente: a abundância de infraestruturas e a exigência a nível da sua sustentabilidade. Desde logo existem diversas entidades que tutelam as várias atividades. Praticamente uma para cada tipologia de percurso ou modalidade. Estas entidades, de utilidade pública, são financiadas em grande parte pelo estado e têm o dever de, pelo menos, coordenar e zelar por todas as regras e condicionantes dessas mesmas atividades e seus praticantes. Tal não acontece na totalidade, e a situação a que se assiste hoje deve-se em parte à apatia e notória incapacidade que essas mesmas entidades demonstram, em relação ao estado das infraestruturas que lhe dão suporte. Não funcionando esta solução, que seria a mais lógica pelo menos ao nível do controlo e da definição de regras claras, fica um vazio sobre de quem é a “responsabilidade” de zelar e preservar o que é de todos. Surgem assim outro tipo de
entidades e pessoas que não se conformando com o rumo que as coisas estão a levar, se organizam, debatem, trocam ideias e procuram soluções efetivas, dentro das suas possibilidades e capacidades, muitas vezes em torno de movimentos de voluntariado ou parcerias público-privadas de formalidade menor ou maior.
Foi também com o objetivo de dar um contributo efetivo para encontrar soluções para esta questão e agir, que a A2Z Consulting, uma das principais empresas nacionais na área da consultoria em turismo de natureza e conhecida no setor por estar na vanguarda de novas soluções, decidiu avançar com o lançamento de uma plataforma digital focada na gestão de percursos. Através da plataforma Responsible Trails, com lançamento previsto no primeiro semestre de 2020, a empresa oferece uma solução integrada e inovadora que responde aos principais desafios que os promotores de
percursos de natureza têm entre mãos e têm que responder. Simultaneamente esta plataforma contribui para a inevitável questão da seleção dos melhores percursos que existem em Portugal, fazendo uma discriminação positiva dos que seguem boas práticas, dando-lhes notoriedade.
ResponsibleTrails.pt é uma plataforma digital que distingue, promove e comercializa internacionalmente percursos portugueses. A plataforma inclui percursos que promovem a valorização e conservação dos patrimónios (naturais/históricos/culturais) onde se inserem as suas infraestruturas, respeitando as boas práticas associadas a cada tipo de património. São percursos monitorizados e auditados regularmente, tentando assim garantir a máxima segurança do utilizador. A plataforma assume o compromisso de comunicação honesta, transparente e atualizada da informação, reforçada pelo estímulo à partilha de experiências e pela valorização da opinião do utilizador, acompanhando assim a evolução contínua da infraestrutura e dando uma melhor resposta às necessidades do utilizador, que exige confiança na informação para a sua escolha do destino para a sua actividade.
Os percursos Responsible Trails respeitam um código de ética que promove a utilização responsável a nível ambiental e social do território e do património. Este código de ética rege-se por onze cláusulas que cobrem as principais temáticas de um percurso: sinalização, segurança, estruturas informativas, interpretativas e de apoio, estado de conservação, pontos de interesse, comunidade local, economia, ambiente, paisagem, transparência e envolvimento de entidades externas. É desejável que os percursos cumpram com rigor o máximo das cláusulas do código de ética, pois diferenciar-se-ão e ganharão destaque em relação aos outros percursos que existem. O código de ética Responsible Trails não é rígido, ou seja, o não cumprimento integral de algumas cláusulas não determinaa rejeição ou eliminação da plataforma. Pretende-se sim que seja visto pelos promotores como uma lista de objetivos a alcançar e uma ferramenta de apoio à melhoria contínua. Para os utilizadores será um local onde encontram informação actualizada sobre o seu próximo percurso, com rigor técnico, sistematizada e elencada nos princípios deste código.
Os percursos com o selo Responsible Trails distinguem-se também por cumprirem critérios, alinhados com as principais certificações internacionais, que estão diretamente ligados ao código de ética, mais apertados que o normal ao nível da monitorização e auditorias. Incrementam a segurança dos utilizadores e, não menos importante, têm a preocupação de não defraudar as suas expectativas. Todos os percursos Responsible Trails são alvo de auditorias aquando da sua adesãoe periodicamente durante o tempo que estiverem presentes na plataforma. A comunicação Responsible Trails é portanto clara e transparente, focada no utilizador e na divulgação da informação sobre percursos
que lhe é mais útil.
Em condições normais, a gestão e manutenção de percursos recai integralmente sobre os seus promotores, normalmente municípios, CIM’s e outras entidades públicas, mas tendo isto em conta, impõe-se uma pergunta: só estas entidades têm responsabilidades na gestão de uma infraestrutura que é pública mas que é utilizada por todos (cidadãos, turistas, empresas)? Qual o papel da sociedade?
Na tentativa de dar resposta a esta problemática, a plataforma Responsible Trails prevê, incentiva e valoriza as contribuições de todos os que se quiserem envolver na gestão de um percurso, estimulando a participação ativa da comunidade de utilizadores. Para além da componente de rede social, onde é possível ter um perfil, seguir utilizadores, conversar e partilhar informações, entre outras funcionalidades, os utilizadores têm à sua disposição um sistema de classificação de qualidade das infraestruturas que frequentam e, mais importante, a opção de reportar ocorrências
encontradas nos percursos. Estas ocorrências, que podem ser dos mais variados tipos (erros de sinalização, falta de estruturas de segurança, lixo, vandalismo, degradação da paisagem, entre muitos outros) ficam automaticamente registadas no sistema, são analisadas e enviadas aos promotores e/ou gestores do percurso. Qualquer utilizador, seja o que reportou a ocorrência ou outro, pode acompanhar o estado das ocorrências, permitindo assim que as informações sobre os percursos estejam atualizadas e que futuros utilizadores, antes de iniciar um novo percurso, saibam se este tem ocorrências ativas, qual a sua gravidade e avaliar como estas irão influenciar a sua atividade. Os utilizadores assumem assim um papel central e relevante na gestão de percursos pois a sua opinião é valorizada e pública, o que é uma ajuda muito significativa para as entidades gestoras, que passam, por um lado, a ter mais olhos no terreno e, por outro, a sentir mais pressão para melhorarem os seus percursos e os terem em boas condições.
A plataforma Responsible Trails foi desenhada para ser uma ferramenta prática e de dupla função, de apoio para o utilizador de percursos e de trabalho para os seus gestores. Está orientada para incentivar e facilitar a resolução de problemas, garantido a fluidez de comunicação entre todos os envolvidos e interessados na informação atualizada. Pode dizer-se que a plataforma Responsible Trails segue o conceito de sites como o “Tripadvisor” aplicado aqui a percursos/trilhos, combinando a vertente de avaliação, classificação e distinção de percursos, mais útil para os utilizadores, com a componente de gestão de ocorrências e divulgação de destino mais focada nos promotores/gestores. A plataforma possui ainda duas aplicações móveis totalmente integradas, uma para o utilizador dos percursos e outra para o gestor dos mesmos onde todas as operações estão disponíveis, desde navegação e consulta, até classificação, registo de ocorrências e navegação.
Com esta nova ferramenta disponível no mercado, pretende-se elevar os padrões de qualidade da rede nacional de percursos e que estes sejam melhor geridos. Os grandes incentivadores desta melhoria serão os próprios utilizadores (nacionais e internacionais), não podendo esta ser feita de forma mais justa e transparente. Quem caminha, pedala, corre e explora o território, quem conhece melhor que ninguém os trilhos e as paisagens portuguesas, é quem é agora chamado a participar e a atuar. Toda a comunidade de entusiastas do outdoor tem a partir de agora nas mãos o poder e a responsabilidade de fazer o que sempre deveria ter sido feito: cuidar e melhorar os trilhos de Portugal.
